A MG Motor acaba de confirmar oficialmente que produzirá seus veículos elétricos no Brasil a partir do final de 2026, dividindo espaço na mesma fábrica que atualmente monta os elétricos da Chevrolet. O Polo Automotivo PACE Comexport, localizado em Horizonte (CE), será o ponto de partida da operação nacional da marca sino-britânica, que está retornando ao país agora com força total e operação própria. A fábrica, que já monta o Chevrolet Spark EUV desde dezembro de 2024 e começará a produzir o Captiva EV em 2026, tem capacidade total para 80 mil veículos anuais.
A estratégia é clara: a MG Motor quer aproveitar a infraestrutura já existente e validada para acelerar sua chegada ao mercado brasileiro sem os riscos e custos de construir uma fábrica do zero. É o mesmo modelo adotado pela Chevrolet, que optou pela montagem SKD (Semi Knocked-Down) em vez de produção completa.
Como funciona a fábrica compartilhada
O Polo Automotivo PACE Comexport é administrado pela Comexport, que adquiriu a antiga fábrica da Troller em Horizonte (CE) em setembro de 2024 e investiu R$ 400 milhões para adaptá-la para montagem de veículos de múltiplas marcas.
A capacidade total é de 80 mil veículos por ano. Desse total, a Chevrolet deve ocupar cerca de 8.800 unidades em 2026 (Spark EUV + Captiva EV), deixando espaço considerável para a MG Motor explorar com seus modelos elétricos.
Modelo de produção SKD:
Os veículos não serão fabricados do zero no Brasil. Eles chegam da China em kits parcialmente desmontados e já pintados, apenas para finalização da montagem em solo brasileiro. Esse sistema reduz drasticamente os custos de investimento inicial e permite operação mais rápida.
As vantagens do SKD incluem menor investimento em maquinário pesado, prazos mais curtos entre decisão e início da produção, facilidade para trocar modelos conforme demanda e custos operacionais controlados.
Quais modelos MG serão produzidos no Brasil
A MG Motor ainda não divulgou oficialmente quais modelos serão montados em Horizonte, mas tudo indica que o foco inicial será nos elétricos que já estão sendo comercializados como importados:
MG4 Electric: hatch compacto elétrico, porta de entrada da marca, com três versões (Comfort, Luxury e XPower). É o candidato mais provável para iniciar a produção local.
MG S5: SUV compacto elétrico que compete com BYD Yuan e Geely EX5. Tem grande apelo comercial no Brasil.
MG ZS EV: SUV elétrico mais vendido da marca globalmente, pode ser adicionado posteriormente.
A montagem local permitirá que a MG reduza preços significativamente. Os modelos importados custam entre R$ 150 mil e R$ 200 mil atualmente. Com produção SKD, os valores podem cair entre 15% e 25%, tornando a marca muito mais competitiva.
Expansão agressiva de concessionárias
Enquanto a fábrica não entra em operação, a MG Motor já está montando sua rede comercial de forma acelerada. Até o final de 2025, a marca planeja ter 24 concessionárias abertas no Brasil, com foco em capitais das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Para 2026 — coincidindo com o início da produção local — a meta sobe para 70 lojas em todas as regiões do país. É uma expansão extremamente agressiva que mostra a seriedade da aposta da MG no mercado brasileiro.
A estratégia lembra muito o que a BYD fez: chegou com força, expandiu rapidamente a rede e depois nacionalizou produção. A diferença é que a MG está fazendo tudo isso de forma ainda mais acelerada.
Condições de lançamento agressivas
Para conquistar o público brasileiro rapidamente, a MG Motor está oferecendo condições comerciais extremamente atrativas durante o período de lançamento:
- Taxa zero de financiamento
- Wallbox residencial de 7 kW incluso (valor de mercado: R$ 3 mil a R$ 5 mil)
- Carregador portátil de 3,4 kW incluso
- Garantia estendida
Essas condições reduzem significativamente a barreira de entrada para quem quer migrar para elétricos, tornando a proposta da MG muito competitiva frente a BYD, Geely e outras marcas chinesas.
História da MG no Brasil: segunda tentativa
Esta não é a primeira vez que a MG tenta conquistar o mercado brasileiro. Entre 2013 e 2015, a marca teve uma operação intermediada pelo Grupo Forest Trade, com apenas uma loja em São Paulo vendendo o MG6 sedan.
A operação não durou muito tempo e foi encerrada discretamente. Agora, mais de dez anos depois, a MG retorna em condições completamente diferentes: com operação própria, produtos competitivos (elétricos), produção local confirmada e investimento sério em infraestrutura.
O contexto também mudou radicalmente. Em 2013, carros elétricos eram nicho minúsculo no Brasil. Em 2025, são um dos segmentos que mais crescem, com consumidores cada vez mais receptivos à eletrificação.
Concorrência acirrada com BYD e Geely
A chegada da MG Motor ao Brasil com produção local intensifica ainda mais a disputa entre marcas chinesas no mercado de elétricos. A BYD lidera com folga, mas já enfrenta pressão crescente da Geely, e agora terá que lidar também com a MG.
Cada marca tem sua estratégia: BYD aposta em volume e variedade de modelos, Geely foca em preços agressivos e produtos bem posicionados, e a MG traz a tradição britânica aliada à tecnologia chinesa.
Para o consumidor brasileiro, essa guerra é excelente: mais opções, melhores preços e tecnologias cada vez mais avançadas acessíveis.
Conclusão: aposta séria e bem calculada
A decisão da MG Motor de compartilhar a fábrica com a Chevrolet em Horizonte é estrategicamente inteligente. Reduz riscos, acelera operação e permite testar o mercado antes de investimentos ainda mais pesados.
Se a produção SKD for bem-sucedida e as vendas decolarem, a MG pode considerar no futuro uma fábrica própria com produção completa. Mas por enquanto, a estratégia conservadora faz todo sentido.
E você, compraria um MG4 elétrico produzido no Brasil por cerca de R$ 120 mil? Deixe sua opinião nos comentários!



