A GWM está prestes a surpreender o mercado automotivo com uma novidade completamente inesperada: uma sexta marca focada em veículos com design retrô inspirado nos anos 1940, combinando linhas clássicas arredondadas com tecnologia moderna de propulsão. A revelação foi feita pelo engenheiro-chefe Li Fei através de postagens enigmáticas na rede social chinesa Weibo, mostrando teasers de um carro com visual nitidamente nostálgico, marcado por cromados generosos e carroceria alongada típica dos grandes sedãs de luxo do pós-guerra.
A estratégia faz parte de um movimento mais amplo da GWM no mercado premium. No início de 2025, a montadora anunciou a criação do “Ultra Luxury Vehicle Business Group”, grupo específico para veículos de ultraluxo liderado pessoalmente pelo presidente Wei Jianjun, com modelos acima de um milhão de yuans — cerca de R$ 700 mil.
Design que parece saído de Hollywood
As imagens de teaser divulgadas revelam detalhes intrigantes: carroceria alongada típica dos sedãs executivos dos anos 1940, para-choque traseiro cromado de grandes proporções, letras longas identificando a marca na traseira e linhas suaves e arredondadas que remetem aos clássicos americanos da era dourada de Hollywood.
É um visual que evoca imediatamente filmes noir, gangsters elegantes e a era de ouro dos automóveis, quando linhas curvas e cromados abundantes definiam status e sofisticação. Pense nos Cadillac Series 62, Packard Super Eight ou nos Buick Roadmaster — ícones que transportavam presidentes, astros de cinema e magnatas dos negócios.
Sexta marca: distante de tudo que a GWM já fez
Segundo Li Fei, o novo modelo não será apenas mais um dentro do portfólio atual, mas o início de uma linha completamente distinta das demais marcas do grupo. Para entender a dimensão dessa novidade, vale contextualizar o império GWM:
1. Haval: SUVs urbanos e familiares (como o best-seller H6) 2. Tank: SUVs off-road robustos (como o Tank 300) 3. Poer: picapes profissionais (como a P30) 4. ORA: compactos elétricos retrô (como o Ballet Cat inspirado no Fusca) 5. Wey: SUVs premium e tecnológicos
A sexta marca não segue o caminho de nenhuma dessas categorias. Não é SUV urbano, não é aventureiro, não é picape e vai além do conceito retrô-fofo da ORA. É algo completamente novo: luxo nostálgico com tecnologia de ponta.
Motorização: elétrico, híbrido ou combustão?
Um dos maiores mistérios ainda sem resposta é qual será a propulsão escolhida. A escolha por um visual retrô não necessariamente indica motor a combustão — afinal, marcas como Rolls-Royce e Bentley já demonstraram que é possível combinar design clássico com motorização elétrica.
Cenário 1 – Totalmente elétrico: Seguiria a tendência global e o compromisso da China com emissões zero, mas pode frustrar puristas que associam carros clássicos ao som e sensação de motores tradicionais.
Cenário 2 – Híbrido plug-in: Combinaria o melhor dos dois mundos: dirigibilidade elétrica silenciosa no urbano e autonomia estendida com motor a combustão em viagens.
Cenário 3 – Motor V8 a gasolina: A GWM confirmou desenvolvimento de um supercarro com motor V8 próprio, então tecnicamente tem capacidade de oferecer propulsão tradicional premium.
Mercado de ultraluxo: ambição de R$ 700 mil+
A criação do grupo específico para veículos acima de um milhão de yuans mostra que a GWM não está brincando. Esse é um território dominado por marcas centenárias europeias — Mercedes-Maybach, Rolls-Royce, Bentley — onde poucas montadoras chinesas ousaram entrar.
Curiosamente, a única concorrente chinesa relevante nessa faixa é a Yangwang (submarca da BYD), que lançou o U8 por 1,68 milhão de yuans (R$ 1,2 milhão) mas vendeu apenas 160 unidades desde setembro de 2024. O mercado de ultraluxo é pequeno, exclusivo e extremamente difícil de penetrar.
A estratégia da GWM parece ser diferente: oferecer luxo com apelo emocional nostálgico por preços um pouco acima de um milhão de yuans — cerca de R$ 700 mil — tornando-se mais acessível que rivais europeus tradicionais.
GWM em momento de expansão global
O timing para esse lançamento ousado não poderia ser melhor. A GWM está vivendo seu melhor momento:
- Novembro de 2025: 133.200 veículos vendidos (+4,57%)
- Acumulado jan-nov 2025: 1.199.700 unidades (+9,26%)
- Eletrificados em novembro: 40.113 unidades (+11,43%)
- Exportações em novembro: 57.309 carros (+32,7%)
No Brasil especificamente, a marca bateu recordes com 5.228 unidades em outubro, liderança do Haval H6 entre híbridos e confirmação de 12 novos lançamentos para 2026.
Quando vem e se virá para o Brasil
Não há data oficial de lançamento, mas considerando que os teasers já foram divulgados publicamente, a apresentação oficial deve acontecer em algum grande salão automotivo chinês em 2026 — possivelmente Xangai ou Guangzhou.
Quanto ao Brasil, é improvável que modelos de R$ 700 mil+ cheguem ao país no curto prazo. O mercado brasileiro de luxo ainda é dominado por marcas europeias tradicionais, e introduzir uma marca chinesa desconhecida nessa faixa seria extremamente desafiador.
Mas nunca diga nunca. Se a GWM conseguir criar desejo e prestígio suficientes na China e em outros mercados asiáticos, uma chegada eventual ao Brasil não está descartada — especialmente considerando o investimento de R$ 10 bilhões da marca no país até 2032.
Conclusão: GWM ousa onde poucas tentaram
Lançar uma marca de carros retrô de ultraluxo é uma aposta ousada que pouquíssimas montadoras fariam. A GWM está apostando que existe mercado para nostalgia automotiva premium, especialmente entre consumidores chineses de alta renda que cresceram admirando os clássicos americanos em filmes antigos.
Se der certo, a marca pode criar um nicho lucrativo. Se der errado, será apenas mais um experimento caro de uma montadora com bolsos fundos. Mas uma coisa é certa: não será por falta de audácia.
E você, pagaria R$ 700 mil em um sedã retrô chinês inspirado nos anos 1940? Ou prefere um Rolls-Royce “de verdade”? Deixe sua opinião nos comentários!



