O que era especulação tornou-se o maior anúncio automotivo de março de 2026. A GAC Motor, uma das cinco maiores fabricantes da China, oficializou sua parceria com a HPE Automotores (detentora das marcas Mitsubishi e Suzuki no Brasil) para produzir veículos em Catalão (GO).
O plano é ambicioso: um aporte de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,8 bilhões) até 2030 para transformar o Centro-Oeste em um polo de tecnologia eletrificada.
1. O Protagonista: GAC GS3 “Made in Brazil”
O primeiro modelo a sair da linha de montagem em 2027 será o GS3, um SUV compacto que chega com a missão indigesta de encarar o VW T-Cross e o Hyundai Creta.
- Adaptação Nacional: Embora o modelo importado que estreia agora seja apenas a gasolina (170 cv), a versão nacionalizada está sendo desenvolvida com tecnologia híbrida flex, capaz de rodar com etanol.
- Capacidade: A fábrica terá capacidade inicial para 50 mil veículos por ano, com potencial para dobrar esse volume em cinco anos.
2. Por que a parceria com a HPE?
Diferente de BYD (que comprou a fábrica da Ford) e GWM (que assumiu a da Mercedes), a GAC optou por uma parceria estratégica. Ela utilizará a capacidade ociosa e a experiência logística da HPE em Catalão. Isso permite que a marca chinesa comece a produzir em regime CKD (montagem de kits) muito mais rápido, aproveitando uma mão de obra que já conhece o padrão de qualidade japonês da Mitsubishi.
3. Pesquisa e Desenvolvimento em Solo Nacional
A GAC não quer apenas montar carros. O investimento contempla Centros de P&D no Brasil para adaptar suas plataformas de “novas energias” ao nosso clima e combustível. A marca já trouxe para o país os modelos da linha Aion (elétricos) e o luxuoso Hyptec HT, que servirão de laboratório para os futuros lançamentos nacionais.
O Olhar do Especialista: “A escolha de Catalão é cirúrgica. Ao se aliar à HPE, a GAC evita o custo de construir uma fábrica do zero e ganha agilidade. É um xeque-mate nas marcas que ainda dependem 100% de importação e sofrem com a variação do imposto de importação.”
Com a GAC produzindo em Goiás, você acha que a Mitsubishi pode acabar perdendo espaço dentro da sua própria casa?



