Fevereiro de 2026 entrou para os livros: BYD Dolphin Mini supera Tera, Creta e toda a concorrência a combustão nas concessionárias
O mercado automotivo brasileiro acabou de virar uma página. Em fevereiro de 2026, pela primeira vez desde que o Brasil tem ranking de emplacamentos, um carro 100% elétrico liderou as vendas no varejo — ou seja, entre consumidores reais, pessoas físicas que foram até a concessionária e escolheram um zero km. E o modelo que fez história foi o BYD Dolphin Mini, com 4.094 unidades emplacadas no mês.
Não foi sorte. Não foi promoção passageira. Foi o resultado de dois anos de consolidação silenciosa de um carro que chegou em fevereiro de 2024, cresceu 47% de um ano para o outro e agora chegou ao topo. Vamos entender o que esse número significa — e o que ele diz sobre o futuro do mercado.
O ranking do varejo em fevereiro de 2026
Antes de tudo, vale lembrar o que é o varejo: são as vendas diretas ao consumidor final, descontadas locadoras, frotas corporativas e vendas diretas das montadoras. É o termômetro mais fiel do gosto do brasileiro médio.
E o gosto do brasileiro em fevereiro foi esse:
| Posição | Modelo | Unidades (varejo) |
|---|---|---|
| 1º | BYD Dolphin Mini 🔋 | 4.094 |
| 2º | Volkswagen Tera | 3.856 |
| 3º | Fiat Strada | 3.214 |
| 4º | Hyundai Creta | 3.129 |
| 5º | Chevrolet Tracker | 3.023 |
| 6º | Volkswagen Nivus | 2.971 |
| 7º | Volkswagen Polo | 2.831 |
| 8º | BYD Song | 2.818 |
| 9º | Honda WR-V | 2.608 |
| 10º | Fiat Fastback | 2.464 |
Fonte: K.Lume Consultoria / Fenabrave
Olhando essa lista, o que salta aos olhos? Sete dos dez modelos são SUVs ou elétricos. O brasileiro que entra em uma concessionária por conta própria não quer mais só um hatch baratinho — ele quer altura, tecnologia e, cada vez mais, uma tomada no porta-malas.
O BYD Dolphin Mini: de lançamento a líder em 24 meses
A trajetória do Dolphin Mini no Brasil é rápida demais para não causar vertigem.
Fevereiro de 2024: lançamento oficial no Brasil, com produção ainda importada da China.
Dezembro de 2024: fim do primeiro ano com 21.944 unidades vendidas. Número expressivo, mas longe do topo.
2025: produção transferida para a fábrica de Camaçari, na Bahia — a mesma onde a Ford produziu carros por décadas. O preço cai para R$ 119.990, tornando o elétrico competitivo com hatches convencionais como Polo e HB20. Resultado: 32.459 unidades no ano, crescimento de 47%.
Fevereiro de 2026: primeiro lugar no varejo. Ponto final.
Desde o lançamento, o Dolphin Mini acumula mais de 62 mil unidades vendidas no Brasil. Para um elétrico, num país sem cultura consolidada de recarga e com infraestrutura em construção, é um número extraordinário.
Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, não escondeu a empolgação: para ele, o resultado representa “a verdadeira consolidação, em larga escala, de uma tecnologia inovadora e que veio para transformar o modo como o brasileiro enxerga o setor automotivo.”
Por que o Dolphin Mini venceu?
Três razões principais explicam esse feito:
1. Preço no ponto certo. R$ 119.990 é o mesmo patamar de um Volkswagen Polo Highline ou um Hyundai Creta de entrada. Quando o elétrico compete de igual para igual em preço com os líderes de venda, a equação muda para o consumidor.
2. Produção nacional. Ao fabricar em Camaçari, a BYD eliminou o imposto de importação, cortou o preço e garantiu suprimento estável. Sem isso, a liderança seria impossível.
3. Custo de uso. Quem vive em cidade grande e carrega em casa gasta uma fração do que pagaria em gasolina. Com o litro acima de R$ 6 em boa parte do país, a conta fecha rápido para o consumidor urbano.
E o ranking geral? A Strada segue inabalável
No ranking geral — que inclui frotas, locadoras e vendas diretas — a história é diferente. A Fiat Strada manteve a coroa com 11.191 emplacamentos, crescimento de 6,2% sobre janeiro de 2026. A picape compacta acumula 20.899 unidades vendidas no ano e não dá sinais de ceder o trono tão cedo.
O Volkswagen Polo foi o automóvel de passeio mais vendido do mês no geral, com 7.517 unidades — superando o T-Cross pela primeira vez em meses. O Fiat Mobi completou o pódio com 6.560 unidades, crescimento impressionante de 85,8% sobre janeiro.
O ranking geral dos 10 mais vendidos em fevereiro ficou assim:
| Posição | Modelo | Unidades (geral) | vs. fev/2025 |
|---|---|---|---|
| 1º | Fiat Strada | 11.191 | +6,2% |
| 2º | VW Polo | 7.517 | +31,9% |
| 3º | Fiat Mobi | 6.560 | +85,8% |
| 4º | Fiat Argo | 6.478 | +25,1% |
| 5º | Chevrolet Onix | 6.450 | +30,4% |
| 6º | VW T-Cross | 5.667 | -1,3% |
| 7º | VW Tera | 5.358 | 🆕 estreia |
| 8º | Renault Kwid | 5.195 | +98,5% |
| 9º | Hyundai HB20 | 5.124 | +26% |
| 10º | Hyundai Creta | 5.045 | +57,6% |
Fonte: K.Lume Consultoria / Fenabrave. Comparativos com fevereiro de 2025.
A Volkswagen também tem motivo para comemorar
Enquanto o BYD celebra o Dolphin Mini, a Volkswagen tem seu próprio marco: a marca alemã encerrou fevereiro como líder de vendas no varejo entre as montadoras, com 13.351 unidades e 15,1% de participação. No acumulado do bimestre, soma 26.948 emplacamentos no varejo — à frente de Fiat, GM e Hyundai.
O CEO da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, destacou que a liderança no varejo “revela a preferência dos brasileiros pela marca” — e ele tem razão: são três modelos no top 10 (Polo, T-Cross e Tera), algo que nenhum outro fabricante conseguiu no mês.
O mercado como um todo: fevereiro em números
O Brasil emplacou 176.472 veículos em fevereiro, alta de 8,7% sobre janeiro e avanço de 1,35% frente a fevereiro de 2025. A média diária ficou em 9.804 unidades, crescimento de 26,8% sobre o mês anterior — resultado de um Carnaval curto e mais dias úteis.
As marcas chinesas continuam sua escalada: cresceram 55,8% em comparação a janeiro de 2025 e já representam uma fatia cada vez mais relevante do mercado. No segmento de elétricos, o crescimento foi de impressionantes 125,53% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para 2026, a consultoria K.Lume projeta entre 2,4 e 2,45 milhões de veículos emplacados — ligeiramente abaixo das 2,54 milhões unidades de 2025, pressionado por juros altos e crédito mais restrito.
O que esse momento significa?
Há dois anos, a ideia de um carro elétrico liderar o varejo no Brasil seria descartada por qualquer analista do setor. Infraestrutura de recarga limitada, preços salgados e resistência cultural eram barreiras consideradas intransponíveis no curto prazo.
Fevereiro de 2026 jogou esse argumento no lixo.
Não significa que a transição elétrica está completa — está longe disso. Mas significa que o ponto de virada chegou mais cedo do que o esperado. Quando um elétrico com R$ 119.990 compete de igual para igual com os hatches mais vendidos do país e ainda vence, o jogo mudou.
A pergunta agora não é mais “se” os elétricos vão dominar o mercado brasileiro. É “quando”.
Dados de emplacamentos: K.Lume Consultoria e Fenabrave, referentes a fevereiro de 2026. Comparativos com fevereiro de 2025.



