O Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) entra em sua fase mais rigorosa em 2026, estabelecendo pela primeira vez na história brasileira metas obrigatórias de eficiência energética que podem determinar quais carros podem ou não ser vendidos no país. A partir de agora, não basta apenas fabricar ou importar veículos — é preciso comprovar que atendem aos padrões ambientais do ciclo “do poço à roda”, medindo emissões desde a extração de combustíveis até o uso final.
O Decreto 12.435 detalhou os requisitos que montadoras precisam cumprir, criando um sistema de penalidades progressivas para quem não se adequar. Multas por veículo não conforme podem atingir dezenas de milhares de reais, e o descumprimento reiterado pode levar ao cancelamento do registro para comercialização.
O que muda na prática:
Veículos a combustão tradicionais precisarão demonstrar consumo energético mínimo estabelecido em regulamento. SUVs grandes e pesados, historicamente beberrões, enfrentarão o maior desafio para se manterem viáveis comercialmente sem eletrificação.
A exigência de material reciclado acima de 50% na fabricação força montadoras a redesenharem completamente suas cadeias produtivas. Componentes plásticos, metais e vidros precisarão vir parcialmente de materiais recicláveis certificados.
O sistema “bônus-malus” de IPI premia veículos eficientes com alíquotas reduzidas e penaliza os ineficientes com tributação maior. Na prática, carros econômicos ficarão mais baratos e beberrões mais caros.
Impacto nas montadoras:
Marcas tradicionais que demoram para eletrificar seus portfólios enfrentarão desvantagem competitiva frente a chinesas já especializadas em eletrificação. Modelos antigos podem simplesmente desaparecer do mercado por não conseguirem se adequar.



